Considerada por muitos a maior artista do século, Pina Bausch revolucionou a dança. A mãe da dança teatro, com seu particular processo de criação. Uma contadora de histórias, suas coreografias eram baseadas nas experiências de vida de seus bailarinos. Seus temas mais recorrentes eram as interações entre masculino e feminino. Uma inspiração para Pedro Almodóvar, em cujo filme Fale com ela, Pina aparece numa bela sequência de dança. A importância de Pina como pessoa e criadora para o cenário artístico mundial vira documentário em filme 3D de Win Wenders. Confira o trailer.
15 junho 2011
13 junho 2011
O Conde
Nos tempos modernos, na ausência dos bestiários medievais, os vampiros que fazem as mocinhas suspirarem são muito chatinhos. Não sugam sangue humano. O vampiro bom moço, de carrão e adolescente, se alimenta de animaizinhos da floresta. Escolheu passar a infinidade de seus dias jogando beisebol e frequentando o colegial. Enterrar o canino na aorta, só para os coadjuvantes. Mocinhas que cresceram informatizadas suspiram almejando a juventude eterna ao lado do grande amor imortal. A moral vencendo o instinto, sobrepujando o desejo incontido da mordida fatal na jugular. Ah o bom e velho Drácula dos filmes branco e preto! A névoa encobrindo o castelo, uma lua alucinada correndo à velocidade do grito contido, o único rastro de luz no breu do desejo e o medo. Onde está o garboso Príncipe das Trevas dos pesadelos de minha infância? Copo com água , réstia de alho, e a espera. Dormir com o travesseiro sobre a cabeça protegendo o pescoço, minha condição humana ameaçada, o terço de minha mãe pendurado na cabeceira da cama. O aparato completo. A estaca, um sonho de consumo! Rezava para o anjo da guarda me proteger, e rezava para o Conde Drácula me querer. Um teste de fé: seria eu forte o suficiente para dete-lo e, caso me tornasse um ser abissal, como viveria esse mundo? Suportaria ser um deles? Olhos vermelhos, cabelos negros, a pele muito branca e uma vestimenta bem mais atraente que a de costume.
Ultimamente o vampiro vive na América, a Transilvânia se encolheu ao passado junto com Bram Stoker. Quando eu atingia o limite do pavor, era necessário que atravessasse o mais longo e extenso dos corredores que conheci. Nele, habitavam as sombras, mãos que roçavam meus braços, puxavam meus pés, arrastavam-se silenciosas no tapete sob meu corpo até conseguirem manter-me de olhos fechados e lábios selados pelo pavor. Naquele turbilhão de horrores _ que acontecia variavelmente nas noites em que pensava Nele _ já no meio do caminho, quase exaurida pelo pânico, estava o Tabú, meu cão que alí descansava tranquilo. Não mais tremia tanto e conseguia galgar os próximos passos com maior dignidade. Ir de encontro ao grande portal. À salvação! Deitar no céu, na cama entre meus pais. Como era bom!
Ultimamente o vampiro vive na América, a Transilvânia se encolheu ao passado junto com Bram Stoker. Quando eu atingia o limite do pavor, era necessário que atravessasse o mais longo e extenso dos corredores que conheci. Nele, habitavam as sombras, mãos que roçavam meus braços, puxavam meus pés, arrastavam-se silenciosas no tapete sob meu corpo até conseguirem manter-me de olhos fechados e lábios selados pelo pavor. Naquele turbilhão de horrores _ que acontecia variavelmente nas noites em que pensava Nele _ já no meio do caminho, quase exaurida pelo pânico, estava o Tabú, meu cão que alí descansava tranquilo. Não mais tremia tanto e conseguia galgar os próximos passos com maior dignidade. Ir de encontro ao grande portal. À salvação! Deitar no céu, na cama entre meus pais. Como era bom!
David LaChapelle
Cores saturadas, polêmico, pop, exagero e estático, este é David LaChapelle. Um dos fotógrafos mais prestigiados do nosso tempo, conquista celebridades e as fotografa ousando em cores e no estático, cenários montados e surrealidade são praticamente seu sobrenome! Apostando nas fantasias cômicas e na beleza bizarra, foi considerado pelo New York Times o Fellini da fotografia. É uma verdadeira ostentação do surreal, é uma mistura de tons fortes, o vulgar, o inferno, o sagrado e o nonsense.
12 junho 2011
Manuel de Freitas, o poeta que capitanea o movimento cultural que acontece em Portugal
Ode à noite inteira
Gosto do momento exacto, ou nem por isso,
que se torna possível colar cartazes nas paredes ao lado dos meus ombros (espero
o autocarro, vejo devagar, sorrio). Mas,
gosto, subretudo dos cães quase sem dono
que roçam as esquinas, pisando restos de garrafas
- ou das pessoas que desconheço
e das bebidas todas que ignoro
( porque me matam menos e se chamam
- como eu - insônia, pesadelo, golpe baixo).
Existem,claro, raparigas louras um tanto
heterodoxas que não te apetece beijar
( a força do baton, perfeita - o cigarro aceso
pedindo outro lume). Essas mesmas que hão-de
um dia procriar com zelo, evitando rugas,
tumores e o mundo como representação misógina.
Mais lírica, sem dúvida, é a lavagem das ruas,
com a cerveja a premiar a farda
demasiado verde e os bigodes de serviço.
Outros, alguns, tornam concreto o torpor
de um charro e pedem-te em crioulo básico
um cigarro português que tu vais dar,
sem esforço nem palavras. Entre shots, piercings,
t-shirts de Guevara e gel, podes não acreditar
por algumas horas no axioma frágil do teu corpo.
Esfuma-te, como eles, no espelho de um bar
qualquer, país de enganos e baratas. E
quase gostas disso, quase: a música de punhais,
servil um certo e procurado desencontro.
Um táxi te ensinarás depois o caminho de casa
-ou o eu contrário, pois só ali ( anônimo
e desfocado ) eras finalmente tu, ou podias ser.
O resto, a vida, fica para outra vez.
Manuel de Freitas
Manuel de Freitas nasceu em Valé de Santarém, Portugal em 1972. É poeta, editor e crítico literário. Vive em Lisboa desde 1990 tendo publicado seu primeiro livro de poemas em 2000.
Dirige a pequena editora Averno e é um dos diretores da revista Telhados de Vidro, publicação da editora. Em 2002 organizou a antologia Poetas sem Qualidades, obra que acabaria por contribuir para uma acesa polêmica sobre os caminhos da poesia portuguesa surgida nos últimos anos.
Blog da editora Averno: editora-averno.blogspot.com
11 junho 2011
Pipoca no Tango
Gênero por excelência quando se trata de identificar musicalmente a cidade de Buenos Aires e a Argentina no exterior, o tango goza novamente de boa saúde. Isto se deve boa parte ao surgimento do tango eletrônico, propulsado pelo Gotan Project e outros grupos, que levaram o ritmo a lugares não tradicionais como as discotecas e raves. O eletrotango nasceu do encontro de instrumentos tradicionais do dois por quatro -como o bandonéon- com os computadores e os samplers, que permitem manipular seqüências de sons. Me gusta!
10 junho 2011
Pendurando no Varal
Um banco é um lugar que te empresta dinheiro se conseguires provar que não precisas dele. Bob Hope, ator norte-americano (1903-2003).
09 junho 2011
Quebrando o Tabu (2011) | Trailer Oficial
Este é um documentário que discute abrangentemente a polêmica sobre a legalização da maconha. Dirigido por Fernando Grostein Andrade, o longa exibe como trunfo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na posição de defensor da legalização _sem dúvida é ele o protagonista. Imperdível porque assume abertamente uma posição política na calejada discussão da droga na sociedade. Tema, que muito além de uma questão de saúde pública, tornou-se onipresente nos conflitos morais entre indivíduos de diferentes gerações. O jornal a Folha de Sâo Paulo, hoje, quinta feira dia 9 de junho, exibirá o documentário e promoverá um debate sobre o assunto após a exibição. O ex presidente, que havia garantido presença, disse que não irá; porém, marcará nova data com o jornal.
05 junho 2011
Pessoa
Dedico esse poema a essa gente de andar oblíquo que visita alguns planetas e conta como foi
"Mestre, meu mestre querido!
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?"
Álvaro de Campos
É um monte tudo isso: não falta drama
mas ferramentas apuradas
sinônimos garbosos, sangue gênio.
sinônimos garbosos, sangue gênio.
Uma asa imensa sobrevoando vigorosa
depondo sombra
batendo sobre residuais cotidianos
passa plana
sem razantes
planando, planando raza
pra lá do pra lá,
pra lá sem plano
Os cuidados baldios
À sua volta o enredo
o em torno
o existido
Preciso_ urge_hay que! : experimentar
nem que por um sublime hiato
a transmutação
do insípido brandamente insosso
às vísceras da criação:
milagre da náusea tornada letra
crença velha de musa
hoje inspiração.
Cartesiana de pai e mãe
de terra batida
contada e contida
Comando que
Rogo que venha e leve
para away desse canto de mundo
onde o dispor, arrumar, passar
é uma fraude de rima fácil
Arrebata-me em fornalha!
Não almejo o entrementes
Aspiro às divindades
Respiro as tempestades
De todos os Pessoas
batendo sobre residuais cotidianos
passa plana
sem razantes
planando, planando raza
pra lá do pra lá,
pra lá sem plano
Os cuidados baldios
À sua volta o enredo
o em torno
o existido
Preciso_ urge_hay que! : experimentar
nem que por um sublime hiato
a transmutação
do insípido brandamente insosso
às vísceras da criação:
milagre da náusea tornada letra
crença velha de musa
hoje inspiração.
Cartesiana de pai e mãe
de terra batida
contada e contida
Comando que
Rogo que venha e leve
para away desse canto de mundo
onde o dispor, arrumar, passar
é uma fraude de rima fácil
Arrebata-me em fornalha!
Não almejo o entrementes
Aspiro às divindades
Respiro as tempestades
De todos os Pessoas
02 junho 2011
A ditadura dos politicamente corretos
Lady Gaga, Jastin Bieber e Obama são os mais seguidos no twitter. Um amigo americano que está passando uma temporada no Brasil ouviu muitas dúvidas de brasileiros sobre a morte de Bin Laden. Postou no facebook essa questão por curiosidade, queria saber como seus compatriotas vislumbravam esta possibilidade. Quase foi linchado, só pelo fato de questionar o governo. Isso é fato, eu acompanhei e vi discretamente ele apagar os comentários ofensivos numa dessas madrugadas .O mais surpreendente é que esse americano é jovem e sua lista de amigos é de uma faixa etária que assusta constatar tanto radicalismo. Os Estados Unidos da América tornou-se a ditadura da democracia. E como assimilamos os ecos da América, estamos perdidos se não nos livrarmos desse pesadelo da ética fabricada.
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